segunda-feira, 23 de abril de 2018

FALECIMENTO DE FREI JOSÉ LUIZ GONZAGA

Frei José Luiz Gonzaga, OARfrade agostiniano recoleto que residia na paróquia Nossa Senhora das Graças em Franca, SP, faleceu no dia 23 de abril de 2018 às 8h45 em Franca, SP, consequência de uma parada cardio-vascular fatal. O velório começa no dia 23 de abril às 14h00 na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Graças em Franca/SP.
No dia 24 de abril, terça-feira, às 8h, o bispo diocesano de Franca, Dom Paulo Roberto Belloto, presidirá a Santa Missa de Corpo Presente com irmãos recoletos, amigos e familiares de Frei Luiz. Em seguida, será o sepultamento, marcado para as 10h no "Cemitério da Saudade", localizado na área central de Franca.
Que Deus conceda a Frei Luiz o eterno descanso.
Frei José Luiz Gonzaga faleceu com 91 anos de idade
Nascimento: 10 de fevereiro de 1927 em Santa Rita de Passa Quatro, São Paulo, Brasil
Batismo: 03 de abril de 1927 em Santa Rita do Passa Quatro na paróquia
Santa Rita do Passa Quatro, SP em 1927
Profissão simples: 12 de março de 1947
Profissão solene: 13 de março de 1950
Ordenação presbiteral: 05 de outubro de 1952
Última comunidade em que residiu e serviu ao povo de Deus: Paróquia Nossa Senhora
as Graças, ministério em Franca, SP
Por Frei Ricardo Alberto Dias e Frei Mason
Fonte: Site Oficial da Província Santa Rita de Cássia

NOTA DE FALECIMENTO


Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está 
preparado desde a fundação do mundo (cf. Mateus 25,34)


A Província Santa Rita de Cássia da Ordem dos Agostinianos Recoletos e a Paróquia Nossa Senhora da Consolação comunicam com pesar o falecimento de Frei José Luiz Gonzaga, O.A.R., com 91 anos de idade, ocorrido na manhã desta segunda-feira, 23 de abril de 2018, às 8h45min, na cidade de Franca, Estado de São Paulo, devido a uma parada cardio-respiratória.

Frei José Luiz Gonzaga, O.A.R., atualmente, trabalhava como Vigário Paroquial na Paróquia Nossa Senhora das Graças, na cidade de Franca (SP) e por duas oportunidades foi Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, Estado do Espírito Santo, onde fez muitas amizades e trabalhou muito prol do Reino de Deus.

Requiescat in pace

sábado, 21 de abril de 2018

REFLEXÃO PARA O 4º DOMINGO DA PÁSCOA - DOMINGO DO BOM PASTOR

Pe. Cesar Augusto dos Santos - Cidade do Vaticano
No Evangelho deste domingo, Jesus diz que ele é o bom pastor, aquele que dá a vida, se despoja dela em favor do rebanho. Isso ele o fez de fato na cruz. Mas Jesus chegou à cruz porque sua vida foi um constante despojar-se de si mesmo em favor do outro, daqueles que havia recebido do Pai, com a missão de levá-los até Ele.
Jesus realiza essa sua missão onde estão os filhos de Deus: no Templo e na sociedade.
No Templo, Jesus os liberta do jugo dos sacerdotes, que se preocupam mais com a legalidade dos fatos, do que com o bem estar das pessoas. Aqueles que encontram Jesus,  encontram a porta para se libertar de uma religião sufocante e essa mesma porta os conduz para o convívio amoroso e, por isso, libertador com o Pai. Nesse gesto de libertar, Jesus contraria os interesses dos opressores e é condenado à morte. Ele se despoja da vida para que a tenhamos. Por isso, Jesus é o Bom Pastor!     
Na sociedade Jesus liberta enquanto indistintamente faz o bem. Ele é o pastor universal!
Podemos refletir e ver como vivemos esse carisma de Jesus que, pelo batismo, também se tornou nosso. Como pastoreamos nossa família, nossos amigos, nossos colegas e nós mesmos? Somos portas libertadoras, que se abrem para que o outro passe para o encontro com a felicidade? Ou somos porta de uma armadilha, que prende quem se aproxima da gente?
Queridos ouvintes, sejamos como Jesus. Sejamos bons pastores a ponto de nos despojarmos de tudo em favor da felicidade, da salvação eterna de nossos próximos!

Fonte: Site Vatican News

sexta-feira, 20 de abril de 2018

MENSAGEM DE ENCERRAMENTO DA 56ª ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB

A presidência da CNBB falou aos jornalistas reunidos na Coletiva de Imprensa da 56ª Assembleia Geral da entidade, na tarde do dia 19 de abril. Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre e presidente da Comissão do Tema Central da Assembleia, falou sobre os próximos passos do documento sobre a formação de presbíteros, aprovado na assembleia. O documento segue para a aprovação final do Vaticano e, após esse passo, será publicado como um documento da CNBB que vai orientar a formação dos novos padres no Brasil.

Dom Murilo Krieger, vice-presidente, leu as mensagens da conferência ao povo de Deus. O documento registra a comunhão do episcopado brasileiro com o papa Francisco e destaca a necessidade de promover o diálogo respeitoso para estimular a comunhão na fé em tempo de politização e polarizações nas redes sociais.

A mensagem retoma a natureza e a missão da entidade na sociedade brasileira. Confira, na sequência, a íntegra do documento que será enviado à todas as 277 circunscrições eclesiásticas do Brasil, incluindo arquidioceses, dioceses, prelazias, entre outras.


MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL

 AO POVO DE DEUS


O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo (1Jo 1,3)

Em comunhão com o Papa Francisco, nós, Bispos membros da CNBB, reunidos na 56ª Assembleia Geral, em Aparecida – SP, agradecemos a Deus pelos 65 anos da CNBB, dom de Deus para a Igreja e para a sociedade brasileira. Convidamos os membros de nossas comunidades e todas as pessoas de boa vontade a se associarem à reflexão que fazemos sobre nossa missão e assumirem conosco o compromisso de percorrer este caminho de comunhão e serviço.

Vivemos um tempo de politização e polarizações que geram polêmicas pelas redes sociais e atingem a CNBB. Queremos promover o diálogo respeitoso, que estimule e faça crescer a nossa comunhão na fé, pois, só permanecendo unidos em Cristo podemos experimentar a alegria de ser discípulos missionários.

A Igreja fundada por Cristo é mistério de comunhão: “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (cf. Ef 5,25), assim devemos amá-la e por ela nos doar. Por isso, não é possível compreender a Igreja simplesmente a partir de categorias sociológicas, políticas e ideológicas, pois ela é, na história, o povo de Deus, o corpo de Cristo, e o templo do Espírito Santo.

Nós, Bispos da Igreja Católica, sucessores dos Apóstolos, estamos unidos entre nós por uma fraternidade sacramental e em comunhão com o sucessor de Pedro; isso nos constitui um colégio a serviço da Igreja (cf. Christus Dominus, 3). O nosso afeto colegial se concretiza também nas Conferências Episcopais, expressão da catolicidade e unidade da Igreja. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, 23, atribui o surgimento das Conferências à Divina Providência e, no decreto Christus Dominus, 37, determina que sejam estabelecidas em todos os países em que está presente a Igreja.

Em sua missão evangelizadora, a CNBB vem servindo à sociedade brasileira, pautando sua atuação pelo Evangelho e pelo Magistério, particularmente pela Doutrina Social da Igreja. “A fé age pela caridade” (Gl 5,6); por isso, a Igreja, a partir de Jesus Cristo, que revela o mistério do homem, promove o humanismo integral e solidário em defesa da vida, desde a concepção até o fim natural. Igualmente, a opção preferencial pelos pobres é uma marca distintiva da história desta Conferência. O Papa Bento XVI afirmou que “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza”. É a partir de Jesus Cristo que a Igreja se dedica aos pobres e marginalizados, pois neles ela toca a própria carne sofredora de Cristo, como exorta o Papa Francisco.

A CNBB não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político. As ideologias levam a dois erros nocivos: por um lado, transformar o cristianismo numa espécie de ONG, sem levar em conta a graça e a união interior com Cristo; por outro, viver entregue ao intimismo, suspeitando do compromisso social dos outros e considerando-o superficial e mundano (cf. Gaudete et Exsultate, n. 100-101).

Ao assumir posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, a CNBB o faz por exigência do Evangelho. A Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Isso nos compromete profeticamente. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada. Se, por este motivo, formos perseguidos, nos configuraremos a Jesus Cristo, vivendo a bem-aventurança da perseguição (Mt 5,11).

A Conferência Episcopal, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos.

Neste Ano Nacional do Laicato, conclamamos todos os fiéis a viverem a integralidade da fé, na comunhão eclesial, construindo uma sociedade impregnada dos valores do Reino de Deus. Para isso, a liberdade de expressão e o diálogo responsável são indispensáveis. Devem, porém, ser pautados pela verdade, fortaleza, prudência, reverência e amor “para com aqueles que, em razão do seu cargo, representam a pessoa de Cristo” (LG 37). “Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor” (Papa Francisco, Mensagem para o 52º dia Mundial das Comunicações de 2018).

Deste Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos, por sua materna intercessão, abundantes bênçãos divinas sobre todos.

Aparecida-SP, 19 de abril de 2018.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília – DF
Presidente da CNBB

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Fonte: Site Oficial da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

terça-feira, 17 de abril de 2018

sábado, 14 de abril de 2018

REFLEXÃO PARA O 3º DOMINGO DA PÁSCOA - ANUNCIAR A RESSURREIÇÃO E A REDENÇÃO DE JESUS

Padre Cesar Augusto - Cidade do Vaticano
O Evangelho deste domingo relata a dificuldade dos Apóstolos em crer na ressurreição. A influência da dualidade grega, da separação entre corpo e espírito e a superioridade deste em relação à matéria que era considerada como fadada a desaparecer, leva os membros da primeira comunidade cristã a terem dificuldades em crer na ressurreição da carne.
Do mesmo modo que em João, podemos entender a precisão de Lucas, ao falar que a aparição de Jesus aconteceu de noite, como não apenas a noite física da natureza, mas a noite da alma, que está repleta de angústias, de perturbações, de dúvidas.
Jesus aparece no meio deles e faz questão de provar que possui um corpo, o mesmo que traz as marcas da paixão, que se alimenta, que é tangível.
É necessário que o Senhor abra nossos corações e nossas inteligências para podermos crer em sua ressurreição. Não basta vermos e sentirmos, é preciso a graça, o dom de Deus para entendermos as Escrituras.
Em seguida, o Senhor dá aos seus amigos a missão de serem suas testemunhas. Isso nos leva aos Atos dos Apóstolos, onde a ação de Pedro deixa claro o que é viver esse mandato. Pedro faz o anúncio do querigma, ou seja, da novidade eterna: Jesus, o Filho de Deus, morreu e ressuscitou para nos redimir.
Na terceira leitura, João, em sua carta, nos ensina que conhecer Deus, conhecer Jesus, é guardar seus mandamentos e sabemos que seu mandamento maior é amar.
Portanto, nossa missão como batizados é anunciar a redenção de Jesus, sua ressurreição e amar a todos sem limites.

Fonte: Site Vatican News

quarta-feira, 11 de abril de 2018

ENCONTRO VOCACIONAL - VOCAÇÃO: CHAMADO DA IGREJA


Fonte: Site Oficial da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim

terça-feira, 10 de abril de 2018

56ª ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB, INICIA NA QUARTA-FEIRA, 11 DE ABRIL DE 2018

Tudo pronto para começar mais uma assembleia geral do episcopado brasileiro no Centro de Eventos padre Vítor Coelho de Almeida, no pátio do Santuário Nacional, em Aparecida (SP). O encontro se estenderá até o dia 20, incluindo os dias que os bispos dedicarão a um Retiro Espiritual. O tema central do encontro será: Diretrizes para a formação dos presbíteros na Igreja no Brasil.
Quadro episcopal
Segundo os dados atualizados pelo professor doutor Fernando Altemeyer Junior, chefe do departamento de Ciência da Religião da PUC-SP, o quadro geral da organização da Igreja no Brasil está desenhado do seguinte modo:
Circunscrições eclesiásticas
No Brasil há 277 circunscrições eclesiásticas: 44 arquidioceses ou sedes metropolitanas, 216 dioceses, nove prelazias territoriais, uma arquieparquia de rito oriental, três eparquias orientais, um ordinariato militar, um exarcado, um ordinariato para fieis de rito oriental sem ordinário próprio, uma Administração Apostólica pessoal. A organização na Igreja Católica do Brasil acontece através da rede de 11.700 paróquias e 50.159 centros de atendimento pastoral.
Ministérios e ministros
Ministérios e ministros na evangelização são: 27.416 presbíteros, 3.849 diáconos permanentes, 2.073 membros de institutos seculares, 122.170 missionários leigos, 2.674 irmãos, 6.154 seminaristas maiores em 595 seminários de formação presbiteral, 29.868 religiosas consagradas e 700.000 catequistas.
Episcopado
O episcopado católico brasileiro entre vivos e falecidos de 25/02/1551 até 01/04/2018 somam 1.153 nomes: um Abade-bispo, 22 cardeais-arcebispos, 209 arcebispos, 802 bispos, 95 prelados, três prefeitos, 11 administradores apostólicos, dois exarcas e oito eparcas. São 477 bispos vivos e 676 bispos falecidos. Perfil dos bispos vivos em 01/04/2018 383 brasileiros, ou seja, 80,3% 94 estrangeiros, ou seja, 19,70% Origem geográfica dos 676 bispos falecidos até 01/04/2018 435 brasileiros, ou seja, 64,4% 241 estrangeiros, ou seja, 35,6% Todos os 1153 bispos católicos vivos e falecidos do Brasil até 01/04/2018 817 brasileiros, ou seja, 71 % 336 estrangeiros, ou seja, 29% Atualmente temos 476 bispos vivos no Brasil indicados pelos seguintes pontífices: 2 foram nomeados pelo papa São João XXIII 39 foram nomeados pelo papa beato Paulo VI Nenhum bispo nomeado pelo bem-aventurado papa João Paulo Primeiro. 229 bispos nomeados pelo papa São João Paulo II; 125 nomeados pelo papa Bento 16; 81 nomeados desde 19/03/2013 até 01/04/2018 pelo atual papa Francisco.
Episcopado atual
Há 308 bispos ativos na hierarquia católica no Brasil (com voz e voto na CNBB):
105 nomeados pelo papa São João Paulo II;
122 nomeados pelo papa Bento XVI, hoje emérito;
81 nomeados pelo atual papa Francisco.
Há 168 bispos eméritos: 2 nomeados pelo papa São João XXIII;
39 nomeados durante o papado de Paulo VI;
124 nomeados pelo papa São João Paulo II;
3 nomeados pelo papa Bento XVI;
Nenhum nomeado pelo atual papa Francisco.
Assembleia 2018
Episcopado reunido como CNBB: 476 pastores, sendo 308 bispos na ativa e 168 bispos eméritos (aposentados). Os bispos oriundos do clero diocesano são 279 pessoas, ou seja, 58,6% do episcopado e os que pertenceram a uma ordem ou congregação de vida consagrada são 198 pessoas, ou seja, 41,4% do episcopado brasileiro. por função institucional temos: Cardeais: 6 diocesanos + 3 religiosos. Arcebispos: 42 diocesanos + 29 religiosos. Bispos: 231 diocesanos + 165 religiosos.
Fonte:
ALTEMEYER Jr, Fernando. Perfil Episcopal da Igreja Católica no Brasil, São Paulo: Ed. Paulus, 2018.
Site Oficial da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A EXORTAÇÃO APOSTÓLICA "GAUDETE EI EXSULTATE" DO PAPA FRANCISCO

Cidade do Vaticano
Nós nos tornamos santos vivendo as bem-aventuranças, o caminho principal porque "contra a corrente" em relação à direção do mundo. O chamado à santidade é para todos, porque a Igreja sempre ensinou que é um chamado universal e possível a qualquer um, como demonstrado pelos muitos santos "da porta ao lado".
A vida de santidade está assim intimamente ligada à vida de misericórdia, "a chave para o céu". Portanto, santo é aquele que sabe comover-se e mover-se para ajudar os miseráveis e curar as misérias. Quem esquiva-se das "elucubrações" de velhas heresias sempre atuais e quem, entre outras coisas, em um mundo "acelerado" e agressivo "é capaz de viver com alegria e senso de humor."

Não é um "tratado", mas um convite

 É precisamente o espírito de alegria que o Papa Francisco escolhe colocar na abertura de sua última Exortação Apostólica.

O título "Gaudete et Exsultate", "Alegrai-vos e exultai," repete as palavras que Jesus dirige "aos que são perseguidos ou humilhados por causa dele”.
Nos cinco capítulos e 44 páginas do documento, o Papa segue a linha de seu magistério mais profundo, a Igreja próxima à "carne de Cristo sofredor."
Os 177 parágrafos não são – adverte -  "um tratado sobre a santidade, com muitas definições e distinções", mas uma maneira de "fazer ressoar mais uma vez o chamado à santidade", indicando "os seus riscos,  desafios e oportunidades"(n. 2).

A classe média da santidade

 

Antes de mostrar o que fazer para se tornar santos, o  Papa Francisco se detém no primeiro capítulo sobre o "chamado à santidade" e reafirma: há um caminho de perfeição para cada um e não faz sentido desencorajar-se  contemplando "modelos de santidade que lhe parecem inatingíveis" ou procurando  “imitar algo que não foi pensado para ele”. (n. 11).
"Os santos, que já chegaram à presença de Deus" nos “protegem, amparam e acompanham" (n. 4), afirma o Papa. Mas, acrescenta, a santidade a que Deus nos chama, irá crescendo com "pequenos gestos" (n. 16 ) cotidianos, tantas vezes testemunhados por “aqueles que vivem próximos de nós", a "classe média de santidade" (n. 7).

Razão como um Deus

 

No segundo capítulo, o Papa estigmatiza aqueles que define como "dois inimigos sutis da santidade", já várias vezes objeto de reflexão, entre outros, nas missas na Santa Marta, na Evangelii gaudium, bem como no recente documento da Doutrina da Fé, Placuit Deo.
Trata-se de "gnosticismo" e "pelagianismo",  duas heresias que surgiram nos primeiros séculos do cristianismo, mas continuam a ser de alarmante atualidade (n.35).
O gnosticismo – observa - é uma autocelebração de "uma mente sem encarnação, incapaz de tocar a carne sofredora de Cristo nos outros, engessada numa enciclopédia de abstrações”.
Para o Papa, trata-se de uma "vaidosa superficialidade”, que pretende “reduzir o ensinamento de Jesus a uma lógica fria e dura que procura dominar tudo”. E ao desencarnar o mistério, preferem - como disse em uma missa na Santa Marta - “um Deus sem Cristo, um Cristo sem Igreja, uma Igreja sem povo "(nn. 37-39).

Adoradores da vontade

 

O neo-pelagianismo é, segundo Francisco, outro erro gerado pelo gnosticismo. A ser objeto de adoração aqui não é mais a mente humana, mas o "esforço pessoal", uma vontade sem humildade que “sente-se superior aos outros por cumprir determinadas normas" ou por ser fiel "a um certo estilo católico" (n. 49).
"A obsessão pela lei", “o fascínio de exibir conquistas sociais e políticas”, ou "a ostentação no cuidado da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja" são para o Papa, entre outros, alguns traços típicos de cristãos que “não se deixam guiar pelo Espírito no caminho do amor”. (n. 57 ).
Francisco, por outro lado, lembra que é sempre o dom da graça que ultrapassa "as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana" (n. 54). Às vezes, constata, "complicamos o Evangelho e tornamo-nos escravos de um esquema". (Nº 59)

Oito caminhos de santidade

 

Além de todas as "teorias sobre o que é santidade", existem as Bem-aventuranças. Francisco coloca-as no centro do terceiro capítulo, afirmando que com este discurso Jesus "explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo" (n. 63).
O Papa as repassa uma a uma. Da pobreza de coração - que também significa austeridade da vida (n. 70) - ao reagir “com humilde mansidão” em um mundo onde se combate em todos os lugares. (n. 74).
Da "coragem" de deixar-se "traspassar" pela dor dos outros e ter "compaixão" por eles - enquanto " o mundano ignora, olha para o lado" (nn 75-76.) - à sede de justiça.
“A realidade mostra-nos como é fácil entrar nas súcias da  corrupção, fazer parte desta política diária do “dou para que me deem”, onde tudo é negócio. E quantos sofrem por causa das injustiças, quantos ficam assistindo, impotentes, como outros se revezam para repartir o bolo da vida”. (nn. 78-79).
Do "olhar e agir com misericórdia", o que significa ajudar os outros "e até mesmo perdoar" (nn. 81-82), "manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor” por Deus e o próximo, isto é santidade. (n.86).
E finalmente, do "semear a paz" e "amizade social" com "serenidade, criatividade, sensibilidade e destreza" - conscientes da dificuldade de lançar pontes entre pessoas diferentes (nn. 88-89) – ao aceitar também as perseguições, porque hoje a coerência às Bem-aventuranças "pode ser mal vista, suspeita, ridicularizada" e, no entanto, não se pode esperar, para viver o Evangelho, que tudo à nossa volta seja favorável" (n. 91).

A grande regra do comportamento

 

Uma dessas bem-aventuranças, "Bem-aventurados os misericordiosos", contém para Francisco "a grande regra de comportamento" dos cristãos, aquela descrita por Mateus no capítulo 25 do "Juízo Final".
Esta página, reitera, demonstra que "ser santo não significa revirar os olhos num suposto êxtase" (n. 96), mas viver Deus por meio do amor aos últimos.
Infelizmente, observa o Papa, existem ideologias que "mutilam o Evangelho". Por um lado, cristãos sem um relacionamento com Deus, que transformam o cristianismo “numa espécie de ONG, privando-o daquela espiritualidade irradiante" vivida por São Francisco de Assis, São Vicente de Paulo, Santa Teresa de Calcutá. (nº 100).
Por outro, aqueles que "suspeitam do compromisso social dos outros", considerando-o como se fosse algo de superficial, mundano, secularizado, imamentista, "comunista ou populista", ou "o relativizam" em nome de uma determinada ética.
Aqui o Papa reafirma que “a defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada” (n. 101).
Mesmo a acolhida dos migrantes - que alguns católicos,  observa, gostariam que fosse menos importante do que a bioética - é um dever de todo cristão, porque em todo estrangeiro existe Cristo, e "não se trata da invenção de um Papa, nem de um delírio passageiro" (n. 103).

"Gastar-se" nas obras de misericórdia

 

Assim, observou que "gozar a vida" como nos convida a fazer o "consumismo hedonista", é o oposto do desejar dar glórias a Deus, que pede para nos "gastarmos" nas obras de misericórdia (nn. 107-108).
No quarto capítulo, Francisco repassa as características "indispensáveis" para entender o estilo de vida da santidade: "perseverança, paciência e mansidão", "alegria e senso de humor", "audácia e fervor".
O caminho da santidade vivido como caminho "em comunidade" e "em constante oração", que chega à "contemplação", não entendida como “evasão que nega o mundo que nos rodeia” (nn. 110-152).

Luta vigilante e inteligente

 

E porque, prossegue, a vida cristã é uma luta “constante" contra a "mentalidade mundana" que "nos engana, atordoa e torna medíocres" (n. 159).
O Papa conclui no quinto capítulo convidando ao "combate" contra o "Maligno que, escreve ele, não é "um mito", mas" um ser pessoal que nos atormenta” (n. 160-161).
“Quem não quiser reconhecê-lo, ver-se-á exposto ao fracasso ou à mediocridade”. As suas maquinações, indica, devem ser contrastadas com a "vigilância", usando as "armas poderosas" da oração, a adoração eucarística, os Sacramentos e com uma vida permeada pela caridade (n. 162).
Importante, continua Francisco, é também o "discernimento", particularmente em uma época "que oferece enormes possibilidades de ação e distração" - das viagens, ao tempo livre, ao uso descontrolado da tecnologia - "que não deixam espaços vazios onde ressoa a voz de Deus ". Francisco pede cuidados especiais para os jovens, muitas vezes "expostos a um constante zapping", em mundos virtuais distantes da realidade (n. 167).
"Não se faz discernimento para descobrir o que mais podemos derivar dessa vida, mas para reconhecer como podemos cumprir melhor a missão que nos foi confiada no Batismo." (174)

Fonte: Site Vatican News